quarta-feira, 21 de Outubro de 2020

 
Reta
Passageiros & Mobilidade
12-03-2020
Bicicletas
MUBi quer apoio a veículos de baixas emissões mais inclusivo e abrangente
A Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) congratula o Governo pelo aumento do valor do apoio à aquisição de bicicletas com assistência elétrica, de 250 euros para um máximo de 350 euros por unidade em 2020, e pelo programa de incentivos passar a incluir bicicletas de carga.

Todavia, a Associação considera “inaceitável que o insucesso tido com o incentivo a motociclos e ciclomotores seja agora mascarado, passando estes veículos motorizados para a mesma categoria das bicicletas elétricas e de carga”, pode ler-se em comunicado enviado às redações. O número de unidades destes vários tipos de veículos a apoiar em 2020 é agora o mesmo que aquele atribuído em 2019 exclusivamente a bicicletas com assistência elétrica, esclarece a MUBi.

“Lamentamos, ainda, que ao mesmo tempo que é criada uma nova categoria própria, com perto de um milhão de euros para apoiar a compra de veículos automóveis ligeiros de mercadorias, as bicicletas de carga tenham de repartir o incentivo com outros veículos, incluindo motorizados”, sublinha a Associação.

No mesmo documento, a MUBi lamenta ainda que “após a deliberação da Assembleia da República, durante a discussão do Orçamento do Estado para 2020, de extensão do incentivo a bicicletas convencionais, o Governo tenha optado por apoiar a compra de umas meras 500 unidades, quando em Portugal são vendidas anualmente cerca de 400 mil bicicletas”.

“Automóveis elétricos não resolvem grande parte das externalidades negativas dos automóveis privados”

No parecer da MUBi, “os automóveis elétricos não resolvem grande parte das externalidades negativas dos automóveis privados”, pelo que “é difícil compreender que este programa de incentivos continue a ser largamente dominado pelo automóvel individual”. Recorde-se que a percentagem do programa de incentivos reservada ao setor automóvel aumentou 2% (de 88% em 2019 para 90% em 2020).

Face às medidas do Governo, a MUBi apela assim que: 1) motociclos e ciclomotores não estejam na mesma categoria que bicicletas; 2) o número de unidades de bicicletas com assistência elétrica a apoiar não seja inferior ao apoiado em 2019; e 3) seja constituída uma categoria própria para bicicletas de carga, com um apoio financeiro superior e autónomo.

“Se objetivo é de facto uma alteração profunda da mobilidade, estas questões terão que ser melhor enquadradas no futuro”, refere a Associação, acrescentando que “ao adoptar estes limites e regras pouco claras em termos de uma narrativa de futuro desejado, não estamos a dar a contribuição necessária e decisiva para mitigar os graves problemas inerentes às alterações climáticas, à insegurança rodoviária, qualidade do ar e todas as outras externalidades provocadas pelo uso do automóvel”.

MUBi incentiva à criação de um programa de incentivo a movimentos pendulares
Tal como acontece em vários países europeus, a MUBi lança o repto ao Governo para a criação de um programa de incentivo a movimentos pendulares casa-trabalho em bicicleta, programas estes com “um grande potencial na transferência modal efetiva do automóvel para a bicicleta nas deslocações quotidianas”, resultando num “excelente retorno positivo para a sociedade, nomeadamente em termos de saúde pública”, explica a Associação.
por: Pedro Venâncio
Tags: Bicicletas   Governo   Incentivos   MUBI  
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